sábado, junho 03, 2006

Uma delicada colcha

Este espaço surgiu para a troca de idéias entre duas áreas de conhecimento: Design e Memória Social. São duas áreas que, possuindo contornos específicos, se caracterizam por ser iminentemente interdisciplinares. Tarefa instigante! Estamos começando a garimpar os retalhos que, lenta e caprichosamente, vão ser costurados com fio duplo para dar corpo a uma delicada colcha.

Vou começar pela parte que me toca: Design.

Êta palavrinha vulgar! Está na boca do povo! Pode significar processo, objeto, carreira acadêmica... O Design como área do saber acadêmico tem como objeto de estudo as interfaces, tando de produtos como gráficas. A área do Design se ocupa da análise da produção, mediação e da apropriação das interfaces por parte dos usuários. Explicando melhor: é comum encontrar estudos de design sobre metodologias de projeto, sobre as interfaces em si (objetos da cultura material) e sobre a relação que os sujeitos estabelecem com estes materiais.

Designers são sujeitos históricos e sociais que produzem cultura material. Diversos assuntos podem estar associados a esta afirmação. Acho interessante destacar alguns conceitos:

1) Na Sociedade da Informação e do Conhecimento em que vivemos, os nossos sentidos são ininterruptamente aturdidos por uma miríade de imagens, tipografias, símbolos, marcas, logotipos e aplicações multimidia. Daí resulta uma espécie de Babel visual onde, paradoxalmente, são poucas as referências que sobrevivem ao filtro da memória e escapam à usura do tempo.

2) O Ser Humano é eminentemente emotivo, o que implica uma forma de interação com o mundo que o rodeia mais empírica do que racional. Deste modo, na atividade projetual pósmoderna, a forma já não segue a função, mas sim a emoção.

3) Os projetos assumem-se inequivocamente, como um repositório de emoções. O resultado será a sublimação de um conjunto de referências estéticas e ideológicas, idiossincrasias e mundividências, valores e conceitos, idéias e sonhos, sempre seguindo critérios de uma atividade projetual consistente e coerente.

4) O design (processo) possui, de fato, esse carácter poroso, na medida em que absorve tudo o que está à sua volta e de tudo se serve para estabelecer uma ordem visual.

Passo a bola para o meu querido amigo! Até!

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